Indústria Verde

Tudo o que você queria saber sobre ESG, mas não tinha coragem de perguntar

Termo atualmente na moda, ESG refere-se ao que empresas fazem no sentido de serem socialmente responsáveis, ambientalmente sustentáveis e administradas de forma correta

Você sabe o que é ESG? A sigla está em voga e vem do inglês Environmental, Social and Corporate Governance – que alude a aspectos ambientais, sociais e de governança corporativa. Porém, a sigla vai muito além da mera tradução literal.

ESG é uma abordagem usada para avaliar em que medida uma empresa trabalha por objetivos ambientais e sociais que extrapolam a geração de lucros. Trata-se, portanto, de uma mudança de paradigma, já que práticas antes associadas apenas à sustentabilidade passaram a ser consideradas também parte da estratégia financeira das empresas. Aos poucos, ESG tornou-se uma forma de se referir ao que empresas e organizações fazem no sentido de se tornarem socialmente responsáveis e ambientalmente sustentáveis – e de serem administradas de forma correta.

“ESG é uma perspectiva muito interessante no contexto das empresas, porque tem alavancado mais recursos, mais atenção para os temas ambientais, sociais e de governança – mas existe um risco de que a sigla seja confundida com sustentabilidade”, observa o pesquisador, consultor e especialista em sustentabilidade, responsabilidade social e consumo sustentável Aron Belinky.

Ele é taxativo quanto ao uso indevido da sigla no lugar do termo sustentabilidade em fóruns de discussão, relatórios e pesquisas. “É importante ficar claro que ESG e sustentabilidade não são a mesma coisa: ESG não é uma substituição, nem uma evolução da sustentabilidade. ESG é um recorte sobre sustentabilidade, a partir da perspectiva de seus impactos econômicos – ou de sua geração de valor – para a empresa”, acrescenta.

Assim, reitera o especialista, a abordagem que ESG representa nem sempre levará em conta questões importantes para o ambiente (seja social ou natural), mas que não estejam diretamente conectadas aos interesses do negócio.

Importante dizer que, no Brasil, a sigla ASG – para Ambiental, Social e Governança – está também se tornando comum.

Temas e critérios – Cunhada em 2004, no relatório Who Cares Wins, do Pacto Global – iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) que defende a adoção de princípios de responsabilidade social e ambiental por empresas e organizações –, a sigla ESG é uma espécie de guarda-chuva que abriga uma diversidade de temas e critérios para avaliar a operação de uma empresa. Além disso, os critérios estão alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

No critério governança ambiental, por exemplo, vão contar questões envolvendo gestão ambiental, eficiência energética, gestão de água e resíduos, biodiversidade, entre outros.

Já quanto ao aspecto social das operações corporativas, entram em campo os temas relacionados aos direitos humanos, relações de trabalho, saúde e segurança, inclusão e diversidade, entre outros.

No aspecto da governança em si, as empresas são avaliadas em relação ao código de conduta, relações com governos, gestão de riscos, privacidade e proteção de dados, entre outros.

Oportunidades – Além de terem um impacto positivo nas esferas a que se referem, as práticas de ESG estão hoje se tornando sinônimo de responsabilidade socioambiental, boa reputação e credibilidade para as empresas, levando a valiosos benefícios corporativos e oportunidades de negócios.

A adesão a aspectos da perspectiva ESG conta muito na forma como uma empresa é vista e o quanto é valorizada por investidores e consumidores, em especial, aqueles preocupados com o consumo consciente.

Os investidores, por exemplo, têm agregado novos critérios de avaliação (referentes à responsabilidade ambiental e social, por exemplo) aos meros índices financeiros na hora de considerarem uma empresa na qual pensam investir. Por sua vez, os consumidores têm estado mais atentos a boas escolhas de consumo e a empresas com valores que se alinham aos seus.

Relevância e responsabilidade – Aron Belinky observa que é importante entender se o que a empresa faz está alinhado ao impacto que ela pode gerar. “A ação filantrópica de uma empresa pode ser muito louvável, por exemplo, mas pode não atender às suas possíveis responsabilidades quanto ao tipo de atividade que exerce, ou ao seu possível impacto negativo no ambiente natural e social em que atua”, explica.

E questiona: “Aquilo que está sendo anunciado pela empresa como adesão à perspectiva ESG é relevante para o cidadão ou trata-se de uma ação pontual e muito pequena mediante os impactos que a empresa com aquela capacidade pode causar no ambiente, na sociedade?”

Por outro lado, Belinky afirma que, às vezes, uma pequena ação realizada pela empresa em benefício ambiental, social ou de governança pode levá-la a ser apresentada como, de fato, uma empresa uma empresa que aderiu à perspectiva do ESG. “Então a avaliação da relevância daquilo que é feito continua totalmente necessária – senão a sigla acaba servindo somente a um tipo de greenwashing”, finaliza.