Indústria Verde

Startups verdes de mãos dadas com a indústria sustentável

Gestão de resíduos, logística reversa, projetos para reduzir emissão de carbono e tratamento de efluentes estão entre os serviços das greentechs

Ações sustentáveis ganham cada vez mais espaço, principalmente no setor industrial, a fim de tentar combater as mudanças climáticas. Desta forma, as startups verdes, ou greentechs, como são conhecidas, chegaram ao mercado para oferecer soluções tecnológicas inovadoras cada vez mais eficientes e sustentáveis para o setor produtivo.

 Startups são empresas nascentes ou em operação recente, voltadas para tecnologia e inovação que têm como objetivo desenvolver e aprimorar um modelo de negócio a partir de ideias inovadoras. Hoje, o segmento verde desse tipo de empresa é essencial para o desenvolvimento sustentável da indústria. No Brasil, elas já são 102, segundo a Associação Brasileira de Startups, e oferecem soluções para gestão de resíduos, logística reversa para reciclagem, projetos para reduzir emissão de carbono, tratamento de efluentes, entre outros.

Manejo de resíduos – A Recicla Club é uma dessas startups. Fundada em 2018, ela tem como principal missão criar um mundo sem resíduos. Para tal, fornece gestão e soluções de resíduos para indústrias com garantia de rastreabilidade desde a geração até o transporte e destinação do resíduo.

“Oferecemos serviços de gestão de resíduos por assinatura e englobamos tudo que a empresa precisa dentro de uma única assinatura. Coletamos e destinamos todos os tipos de resíduos”, afirmou Priscila Faria, diretora da Recicla Club.

A startup já fez a gestão de mais de 21 milhões de quilos de resíduos, gerando uma economia de mais de R$ 2,8 milhões para seus clientes.

Para tornar essa operação possível, a Recicla Club faz a gestão inteligente do resíduo. Ela não tem uma estrutura física, como galpões e caminhões: o material é coletado por parceiros locais. “Hoje temos mais de 130 parceiros homologados, assim o resíduo sai da indústria e já vai para destinação otimizando a operação”, explicou Priscila.

A atuação principal da Recicla Club é em Minas Gerais, com expansão prevista para São Paulo. Porém, segundo a diretora, a operação é possível em todo país. “Mapeamos os parceiros locais que podem atender a demanda e, em 30 dias, conseguimos atender em qualquer cidade”, garante.

Hoje a Recicla Club auxilia grandes indústrias na área alimentícia, mineradoras e fabricantes de lubrificantes como a Petronas. Mas, segundo Priscila, o serviço também é voltado para pequenas e médias empresas.

“Nossa missão é democratizar nosso serviço a médias e pequenas empresas. As assinaturas começam a partir de mil reais, então pequenas e médias também conseguem acessar o serviço”, afirmou.

Propósito social – A Green Mining presta um serviço que otimiza o processo de logística reversa com um diferencial social. Ela garante que o trabalhador que faz a coleta do material reciclável tenha seus direitos garantidos por meio da carteira de trabalho assinada e receba o valor real do material que está sendo entregue.

“Nós somos uma empresa que intercepta materiais no meio ambiente e devolve isso para a cadeia produtiva. Essa é a nossa essência, nosso propósito. O grande diferencial da Green Mining é o S, o social do conceito ESG, ou seja, respeitar as pessoas nesse processo”, afirmou Rodrigo Oliveira, CEO da Green Mining.

“Somos uma empresa que se propôs a contratar o catador, assinar a carteira do carroceiro e agora se propôs a pagar o valor real do material da pessoa que está lá suando todos os dias”, detalhou.

A startup trabalha em um formato de prestação de serviço, em que cobra um valor mensal da indústria para ir buscar as embalagens, trazer de volta e retornar ao processo produtivo, eliminando assim os intermediários.

“Somos contratados pela empresa para prestar esse serviço de logística e o valor que a indústria paga pelo material nós repassamos 100% para o catador. A Green Mining não fica com nada do valor do material e esse é o grande diferencial da nossa empresa. Não nos colocamos no mercado para ser mais um intermediário, somos, na verdade, um facilitador no processo para conseguir com que as pessoas que estão lá ralando no dia a dia possam conseguir o maior valor pelo seu trabalho”, ressaltou.

Dessa forma, segundo Ricardo, a quantidade de material reciclado é muito maior, o que beneficia tanto a indústria quanto o trabalhador.

Hoje a Green Mining recolhe em torno de 35 toneladas de material por mês e tem a coleta contratada em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, além de projetos específicos em Trancoso (BA), Fernando de Noronha (PE) e Chapada dos Veadeiros (GO).

Inovação – Focada na reciclagem, a Eco Panplas desenvolveu uma tecnologia que permite a descontaminação de embalagens plásticas de óleo lubrificante pós-consumo. O processo não usa água, garantindo que o plástico seja devidamente reciclado sem riscos e passivos ambientais, já que não gera efluentes e resíduos.

“O processo recupera 17 mil litros de óleo por mês, que viram subprodutos para a indústria, além de já ter economizado 17 bilhões de litros de água desde 2018 e descontaminado mais de 10 milhões de embalagens. Por sua vez, as embalagens plásticas se tornam matéria-prima de ótima qualidade, que voltam para a indústria e se tornam uma nova embalagem de lubrificante”, afirmou Felipe Cardoso, CEO da Eco Panplas.

Segundo ele, a ideia de criar a startup surgiu da necessidade do mercado de uma solução que permitisse reciclar esse tipo de produto de maneira eficiente. “Havia uma dificuldade grande para reciclar as embalagens. Quando isso era feito, não faziam de maneira eficiente e econômica e então essa ideia surgiu entre os sócios que já eram pessoas que trabalhavam na indústria da reciclagem. Foram três anos de desenvolvimento do projeto até atingir um nível viável”, afirmou.

Vale ressaltar que, para desenvolverem tecnologias inovadoras, as startups verdes contam, muitas vezes, com aceleradoras de impacto que podem fornecer não apenas suporte financeiro, mas também assessoria jurídica e de gestão do novo negócio.