Indústria Verde

Saiba qual o destino correto de pneus, óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens

Graças a programa estruturado, indústria nacional de pneus já deu destinação correta a mais de 5,5 milhões de toneladas de pneus inservíveis, o equivalente a cerca de 1,1 bilhão de pneus de passeio

De acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/10), alguns resíduos considerados impactantes devem seguir o sistema de logística reversa quando descartados. Entre eles estão pneus, óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens. Desta forma, a cadeia reversa irá viabilizar o processo de reciclagem ou reaproveitamento, para que grande parte dos resíduos seja reintroduzida no ciclo produtivo, reduzindo danos ao meio ambiente.

A Reciclanip, uma das maiores iniciativas da indústria brasileira na área de responsabilidade pós-consumo, atua, desde 1999, na logística reversa de pneus. O projeto teve início com o Programa Nacional de Coleta e Destinação de Pneus Inservíveis implantado pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), entidade que representa os fabricantes de pneus novos no Brasil.

Segundo Klaus Curt Müller, presidente da Anip, o descarte incorreto pode gerar uma série de problemas para o meio ambiente. “Isso acontece seja pelo elevado tempo de deterioração – o que pode causar poluição e contaminação do solo, contaminando ecossistemas –, seja pela proliferação de vetores como dengue, malária e febre amarela, através do acúmulo de água”.

Números e processo – Desde o início de suas operações até 2020, a Reciclanip viabilizou a destinação correta a mais de 5,5 milhões de toneladas de pneus inservíveis, o equivalente a cerca de 1,1 bilhão de pneus de passeio. O investimento nesta ação por parte da indústria nacional de pneumáticos somou mais de R$ 1,6 bilhão. São cerca de 1.050 pontos de coleta em aproximadamente 1.400 municípios. Atualmente, a Reciclanip conta com cerca de 40 empresas parceiras que fazem a coleta dos pneus inservíveis.

Depois de recolhido, todo pneu é reaproveitado. Após a trituração, o material é separado e enviado para fabricação de novos produtos. 57% dos pneus inservíveis – o que corresponde a 223,7 mil toneladas – são utilizados como combustível alternativo em fornos de cimenteiras; 8%, ou 34,9 mil toneladas, são destinados às siderúrgicas; 13%, ou 36,2 mil toneladas, são destinados à fabricação de produtos laminados, e 22%, ou 84,4 mil toneladas, tem outras utilizações, como a produção de asfalto borracha, tapetes para automóveis, pisos industriais e pisos para quadras poliesportivas.

Óleo – O óleo lubrificante usado ou contaminado (OLUC) é classificado como Resíduo Perigoso Classe I. O descarte incorreto desse material pode gerar diversos danos ao meio ambiente.

Segundo a vice-presidente da Associação Ambiental para Coleta, Gestão e Rerrefino do OLUC (AMBIOLUC), Aylla Kipper, o descarte do óleo lubrificante usado no solo inutiliza o local, causando infertilidade. “Na água, causa a contaminação de até um milhão de litros a cada um litro de óleo lubrificante descartado incorretamente”, complementa.

Aylla explica que a coleta ilegal pode fazer ainda com que o OLUC seja usado indevidamente para a queima como combustível. “Isso gera poluição atmosférica por conta da emissão de compostos nocivos, como metais pesados. Eles causam intoxicação e prejudicam a saúde das pessoas. Além de emitir oito vezes mais gases de efeito estufa”, detalha.

Fundada em 2019, a AMBIOLUC tem como objetivo fortalecer o sistema de Logística Reversa em vigor no país, ampliar a coleta e rerrefino* do óleo lubrificante usado e contaminado. Desde a criação da AMBIOLUC, o setor já coletou 1.523 milhões de litros do produto. A logística reversa do óleo, no entanto, é realizada desde os anos 1960. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) demonstram que, de 2016 a 2021, foram coletados 2.851 milhões de litros.

A coleta do material deve ser feita por coletores autorizados pela ANP. Não são autorizados pontos de entrega voluntário. Para realizar a coleta, o gerador deve contatar um dos 160 agentes autorizados e o OLUC será retirado no local.

Após a coleta, que é feita nas fontes geradoras como postos de combustíveis, super trocas, oficinas mecânicas, indústrias, etc., o OLUC deve ser encaminhado para as rerrefinadoras. Atualmente existem 72 bases de coleta em todo país, com mais de 160 agentes autorizados e 13 rerrefinarias.

Após o envio à rerrefinaria, é feita a análise do óleo lubrificante usado para identificar os níveis de poluentes antes de iniciar o processo de remoção. Após análise, inicia-se a fase de desasfaltamento do óleo usado, balanceado com hidrotratamento. Essa tecnologia permite extrair os aditivos presentes no OLUC em etapas sem prejudicar a matéria-prima, isto é, o óleo básico.

Todos os resíduos gerados são reaproveitados no rerrefino. Além de extrair o óleo básico mineral, o processo trata a água presente no resíduo e, ainda, gera matéria-prima para produção de mantas asfálticas utilizadas na impermeabilização de construções civis.

Embalagens – A embalagem em que é armazenado o óleo lubrificante também deve ter uma destinação correta. “Nós estamos lidando com um produto derivado de petróleo e esse produto não conjuga com a saúde humana”, explica o diretor-executivo do Instituto Jogue Limpo, Ezio Camillo Antunes. “Ele é um elemento unicamente destinado para ser usado em máquinas. Imagina você jogar essas embalagens em um terreno baldio? Você irá contaminar o local”, complementa.

Em 2005, o Instituto Jogue Limpo iniciou o processo de recolhimento de embalagens de óleo lubrificante no Rio Grande do Sul. Hoje ele já opera em 20 estados. O instituto já destinou cerca de 53 mil toneladas de plástico para reciclagem. São 23 centrais que recepcionam as embalagens recolhidas diariamente por 85 caminhões que visitam pontos em que o consumidor faz a troca do óleo, como, por exemplo, postos de combustível, oficinas e concessionárias. Segundo Antunes, a meta é, este ano, destinar para reciclagem 5.300 toneladas de plástico.

Depois de recolhido, o material é separado por cor e tipo de plástico. 97% das embalagens são destinadas para reciclagem, e podem ser transformadas em produtos como para-choques de caminhões, novas embalagens de óleo lubrificante e sacolas plásticas, por exemplo. O plástico, segundo regra da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), só não pode ser transformado em produtos relacionados à higiene pessoal, brinquedos ou produtos alimentícios. O restante, que não pode ser reciclado, vai para o coprocessamento da indústria cimenteira (1,5%) e 1,5% seguem para o aterro sanitário.

 

* De acordo com o Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA nº 362/05), o “rerrefino é a categoria de processos industriais de remoção de contaminantes, produtos de degradação e aditivos dos óleos lubrificantes usados ou contaminados, conferindo aos mesmos, características de óleos básicos”.