Indústria Verde

Mercado de Carbono no Brasil

Artigo de Monique Gonçalves, gerente sênior de Relações Corporativas e Assuntos Regulatórios da Shell Brasil


Por Monique Gonçalves, gerente sênior de Relações Corporativas e Assuntos Regulatórios da Shell Brasil*

Na Shell, acreditamos que os mecanismos de precificação de carbono liderados pelo governo são uma ferramenta política essencial para combater as mudanças climáticas. Acreditamos também que o setor privado tem um papel fundamental nessa discussão, considerando o potencial de investimentos nesse mercado e a geração de benefícios socioambientais e econômicos na ponta.

O Brasil tem, na criação de um mercado de carbono, um mecanismo que pode contribuir muito para o cumprimento de seus compromissos climáticos e ainda apoiar as empresas em seu processo de modernização através da descarbonização, eficiência energética e competitividade internacional em um mundo de baixo carbono.

O estabelecimento de regras claras e reconhecidas internacionalmente é imperativo e poderá conferir maior transparência e previsibilidade na atração de investimentos. Para isso, é preciso começar. O Brasil não pode ficar para trás. Uma coisa é certa: quando falamos de Mercado de Carbono algumas premissas de qualidade e integridade ambiental devem ser observadas, como regras claras de mensuração, relato e verificação – MRV.

Para a Shell, assegurar a qualidade e a integridade de créditos de carbono envolve também critérios que vão além de certificações de padrão internacional, e incluem, por exemplo medidas para garantir salvaguardas ambientais e sociais, adicionalidade, metodologias conservadoras de quantificação de redução de emissões e de remoções, dentre outros. Um mercado de carbono robusto precisa ter regras que proporcionem um padrão mínimo de segurança desses créditos.

O nosso país vem discutindo o tema de Mercado de Carbono de forma ampla nos últimos anos, com profundos debates sobre premissas técnicas e diversos modelos analisados. A precificação de carbono deve ser aplicada ao maior número possível de setores da economia e evoluir ao longo do tempo. As políticas devem ser aplicadas com base em uma modelagem robusta e transparente dos impactos da precificação do carbono sobre consumidores e indústria.

Seja qual for o caminho a ser escolhido, é preciso manter um processo de diálogo com a sociedade e implementar ações concretas rumo a um futuro de emissões líquidas zero de forma custo-efetiva.

* Monique tem mais de 20 anos de experiência em Petróleo e Gás, na Shell, BG Group e Enterprise Oil. Atuou em posições de Relações Governamentais e de Assuntos Regulatórios, e nos últimos cinco anos lidera o Programa de Transição Energética da Shell Brasil, a sua agenda climática e o apoio aos novos negócios de renováveis e energia elétrica. Monique é formada em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com especialização em Regulação e gerenciamento de negócios de petróleo e gás pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ).