Indústria Verde

Indústria de alimentos e bebidas foca na redução de impactos negativos ao meio ambiente

Setor é responsável por cerca de 10% do faturamento do PIB nacional e é um dos segmentos das indústrias de transformação com menor geração de GEE

A indústria da alimentação e bebidas no Brasil está cada vez mais focada na redução dos impactos negativos do setor ao meio ambiente e vem potencializando investimentos nesta área. O setor é responsável por cerca de 10% do Produto Interno Bruto brasileiro (PIB) nacional e, segundo estimativas da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), o volume aplicado em ações sustentáveis alcançou 0,8% (R$ 6 bilhões) do faturamento médio anual do segmento em 2020. Esse montante equivale a 27% dos investimentos totais da indústria de alimentos (R$ 22,3 bilhões) no mesmo ano.

“Os investimentos estão em todas as frentes, desde a redução no uso de recursos naturais até as ações de capacitação profissional, elaboração de projetos sociais para o desenvolvimento das comunidades locais e adoção de estratégias de gestão de resíduos e redução do consumo de água”, afirmou o presidente executivo da ABIA, João Dornellas.

Entre as citadas ações sustentáveis, estão projetos que têm por objetivo, por exemplo, a melhoria da performance da sustentabilidade ambiental das indústrias de alimentos que seguem padrões ESG sob certificação. Contemplam máquinas, equipamentos e tecnologias que ampliam a eficiência energética do processo produtivo, a redução do consumo de água (pegada hídrica), redução de emissões de Gases de Efeito Estufa (o que inclui a ampliação do uso de fontes de energia renováveis e eficiência na logística de transporte), ações para a redução das perdas e dos desperdícios de alimentos ao longo na cadeia de valor da indústria de alimentos, sistemas para o monitoramento e a rastreabilidade das matérias-primas agropecuárias (o que inclui ações para a redução do desmatamento e a proteção da biodiversidade dos biomas, desenvolvidos em parceria com fornecedores) e economia circular (logística reversa, redução, reutilização e P&D para embalagens pós consumo).

Além destes, também foram considerados os investimentos em projetos e ações para a educação alimentar e nutricional e incentivos às atividades físicas e esportivas em parceria com instituições públicas e privadas, inclusive ONGs.

Economia circular – No caminho para a economia circular, os projetos de reutilização e destinação correta de resíduos já são objeto de atenção da indústria de alimentos há quase uma década.

Entre as indústrias que se comprometem com a promoção da economia circular em seu processo de produção está a Cargill, fabricante do óleo de soja Liza. Em 2021, foram coletados 1,5 milhões de litros de óleo de fritura por meio do programa Ação Renove o Meio Ambiente, com aumento de 42% no número de postos de coleta, mesmo durante a pandemia, quando comparado a 2020. O óleo coletado é transformado em outros produtos sustentáveis, como o biodiesel.

Criado em 2010, o programa surgiu como uma alternativa para os clientes darem uma destinação correta aos resíduos gerados pelo processo de fritura. Além da instalação de pontos para entrega, o sistema de logística reversa também realiza atividades de educação ambiental e conscientização. Hoje, o programa está presente em 18 estados e no Distrito Federal e já recolheu 7,6 milhões de litros de óleo desde 2010.

“O objetivo do programa Ação Renove o Meio Ambiente é apoiar os consumidores com ações de reciclagem do óleo de cozinha. As ações de educação ambiental e conscientização fazem parte do programa e estão alinhadas com a estratégia de sustentabilidade da marca Liza”, afirmou Marcio Barela, coordenador de Sustentabilidade da Cargill.

O programa vem crescendo e conta com conexões que ajudam a viabilizar a coleta, transformação e destinação correta do óleo. Os principais pontos de coleta estão em supermercados, mas hoje há um número grande de condomínios participando do programa, além de escolas que incentivam os estudantes a conscientizarem suas famílias a separar o óleo usado e o descarte correto.

Redução de emissões – Segundo a última versão do Inventário Nacional de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa (GEE) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a indústria de alimentos é um dos segmentos das indústrias de transformação com menor geração de GEE.

O setor tem papel relevante no que diz respeito à redução das emissões de GEEs, por meio dos chamados Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDLs) – um dos mecanismos de flexibilização criado pelo Protocolo de Kyoto (1997) para auxiliar o processo de redução de emissões de GEE – capazes de gerar créditos de carbono.

A DSM, empresa global de origem holandesa voltada para a saúde, nutrição e biociência, vem se dedicando a desenvolver uma série de soluções que possibilitam reduzir na casa de dois dígitos as emissões dos animais de fazenda até 2030. Com soluções de bases científicas, a DSM se compromete a reduzir 20% as emissões de gases de efeito estufa na produção de laticínios, 30% nas emissões de amônia da suinocultura e 30% nas emissões de fósforo derivado da avicultura.

Transição energética – A transição energética envolve mudanças não só na geração de energia, mas também no consumo e no reaproveitamento desta. A Kraft Heinz, fabricante de marcas como Heinz, Quero, Hemmer, BR Spices e Kraft, se comprometeu a diminuir o uso de energia em 15% em todas as instalações fabris da companhia até 2025, sendo a maioria de eletricidade adquirida proveniente de fontes renováveis. Além de diminuir o uso de água em 20% nas fábricas da Kraft Heinz em áreas de alto risco e em 15% em todas as fábricas até 2025. Segundo levantamento da CNI realizado com 572 empresas, entre junho e julho de 2021, 83% dos industriais apontaram o aumento do custo da energia como a principal preocupação. Além disso, 63% se mostraram preocupados com o risco de racionamento e 61%, com a possibilidade de instabilidade ou de interrupções no fornecimento de energia. Investimentos em fontes de energia renováveis e em ações de eficiência energética devem fazer parte da solução.

Conservação florestal – A M. Dias Branco, que atua na produção de biscoitos, massas, farinhas e farelo de trigo, misturas para bolos, margarinas e cremes vegetais, bolos, snacks de milho e de trigo, torradas, cobertos de chocolate (biscoitos) e bits de cereais, vem desenvolvendo uma série de ações, entre elas o plantio de mudas em Área de Preservação Ambiental (APP), reúso de água, redução de resíduos e maior utilização de energias renováveis.

A empresa investe na reconstituição da flora e monitoramento da fauna no Nordeste e no Sul do Brasil. Como resultado da iniciativa foram cultivados mais de 3.300 mangues nos últimos três anos. A M. Dias Branco também realiza a manutenção e gestão de uma Reserva Ecológica com sete hectares, entre a área do Grande Moinho Aratu, na baía de Aratu, região metropolitana de Salvador (BA), e a mata nativa do entorno.

“Neste espaço, fazemos o plantio de diversas espécies de árvores frutíferas para atrair animais pela oferta de alimentos, o que enriquece a biodiversidade local”, explicou Aricelma Ribeiro, gerente de Meio Ambiente da M. Dias Branco.