Indústria Verde

O que fazer com pilhas, baterias, eletroeletrônicos e lâmpadas?

Descartar esses produtos corretamente é fundamental para não contaminar o meio ambiente

Pilhas, baterias, equipamentos eletrônicos e lâmpadas são parte essencial do dia a dia. Enquanto estão em funcionamento, esses itens são uma solução para nossa rotina, mas com o fim da vida útil, esses materiais são considerados resíduos perigosos e o descarte incorreto pode causar danos ambientais e à saúde.

Desde 2010, por meio da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei n. 12.305), ficou instituída a obrigatoriedade de estruturar e implementar sistemas de logística reversa de forma independente do serviço público de limpeza urbana. De acordo com a Lei, é preciso realizar “o retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, e de manejo dos resíduos sólidos, pelos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de agrotóxicos, pilhas e baterias; pneus; óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens; lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista e produtos eletroeletrônicos e seus componentes”.

Pilhas e baterias – Buscando atender a Política Nacional de Resíduos, em 2016, a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) criou a Green Eletron, uma entidade gestora que operacionaliza a logística reversa de pilhas e baterias em nome das empresas associadas.

Desde sua criação, a Green Eletron já recolheu duas mil toneladas de pilhas e baterias. A coleta é feita por meio de oito mil pontos de coleta presentes em todos os estados brasileiros. Segundo o gerente executivo da empresa, Ademir Brescansin, o descarte incorreto desse material pode causar contaminação do solo e da água, além de ser um desperdício de matéria- prima.

“Se o material for jogado no lixo comum, ele pode ir para dois caminhos: ser coletado pelo sistema e ir para um aterro, ou ser jogado no lixão e contaminar o solo e a água por causa das substâncias que contém. Além disso, há um desperdício de matéria-prima”, afirmou Ademir.

Depois de coletado, o material é encaminhado para uma indústria em Juiz de Fora (MG), que faz o reaproveitamento do zinco e dá a destinação ambientalmente correta para os demais materiais. Apenas em 2019, a Green Eletron possibilitou a reciclagem de 171 toneladas de pilhas.

A empresa também faz campanhas em escolas visando conscientizar da importância de coletar e destinar corretamente esse material. “Nossa ideia é levar uma mensagem clara e incentivar, principalmente as crianças, sobre a coleta correta”, explicou o gerente executivo.

Equipamentos eletrônicos – A Green Eletron é responsável ainda por recolher e enviar para reciclagem equipamentos eletroeletrônicos. Entram nesta categoria tudo aquilo que é ligado na tomada ou funciona com pilha ou bateria, como, por exemplo, celulares, controles remotos, notebooks, batedeiras, entre outros.

Atualmente, são cerca de 1.200 pontos de coleta em 24 estados e já foram recolhidas cerca de 1.800 toneladas desde 2016. Após coletados, os eletroeletrônicos são desmontados e cada parte é enviada para destinação correta. “O caminho para reciclagem dos eletroeletrônicos é grande. Por exemplo, uma batedeira de bolo tem a carcaça de plástico, algumas partes, de metal, outras, de vidro. Cada material vai para um caminho diferente para ser reciclado”.

Lâmpadas – Também a partir da Política Nacional de Resíduos Sólidos e da assinatura de um acordo setorial para implementar um sistema de logística reversa de lâmpadas que contêm mercúrio em sua composição, foi criada, em 2014, a associação sem fins lucrativos Reciclus.

A associação é responsável por operacionalizar a logística reversa das lâmpadas que contêm mercúrio em sua composição, e disponibiliza pontos de entrega em estabelecimentos comerciais em todo Brasil, para que pessoas físicas possam descartar suas lâmpadas usadas para posterior coleta segura, transporte e destinação correta em seus recicladores homologados.

De 2017, quando a Reciclus começou a operar efetivamente, até hoje, já foram recolhidas 23,1 milhões de lâmpadas. São 3.305 pontos de coleta em 691 municípios, com compromisso de atingir 3.804 pontos em 928 municípios em cinco anos.

Depois de recolhida, cada material da lâmpada é destinado corretamente. Segundo a responsável por Marketing e Prospecção na Reciclus, Camila Horizonte, mais de 90% são reaproveitados na indústria. “Os pinos de latão vão para indústria automotiva, o vidro, para indústria de cerâmica e vitrificação e o mercúrio vai para uma destinação ambientalmente correta ”, explicou.

Já foram reciclados cerca de mil quilos de vidro, evitando a extração de 1.300 kg da areia usada na fabricação do material, dez mil quilos de plástico e mil quilos de alumínio, evitando a extração de cinco mil quilos de bauxita.

Segundo Camila, é extremamente importante que o descarte correto, não só de lâmpadas, mas de qualquer resíduo, seja feito de forma correta para evitar danos que podem ser permanentes.

“Além da lâmpada, é de extrema importância realizar o descarte correto de outros materiais também. Imagina se somarmos cada item em cada casa que não vai para o lugar certo? E se tudo isso vai para o lixão? Imagina o dano que isso vai causar para as próximas gerações? Na verdade, o nosso planeta já está se esgotando de extração de recursos naturais. Se não cuidarmos agora, essa situação pode se tornar irreversível”, alertou.

A Reciclus também tem um programa de educação ambiental que distribui gratuitamente materiais educativos sobre a importância de reciclar lâmpadas para escolas públicas e privadas. Já foram impactados cerca de 40 mil alunos em cidades do Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Paraná.

ENCONTRE PONTOS DE ENTREGA

PILHAS E BATERIAS

https://sistema.gmclog.com.br/info/green

ELETROELETRÔNICOS

https://www.greeneletron.org.br/localizador

LÂMPADAS

https://reciclus.org.br/pontos-de-entrega/