Indústria Verde

Soluções para a indústria de refino de petróleo

Além de adotar ações para reduzir suas emissões e reaproveitar detritos, empresa desenvolveu catalisador pioneiro na reciclagem química de resíduos sólidos urbanos

Diversas empresas da indústria de química fina – responsável pela obtenção de substâncias com alto grau de pureza, utilizados na fabricação de medicamentos e vacinas, defensivos agrícolas, insumos farmacêuticos ativos (IFAs), catalisadores, entre outros – vêm demonstrando crescente preocupação com a sustentabilidade de seus processos de produção.

Um exemplo é a Fábrica Carioca de Catalisadores S.A. (FCC S.A.), que cria, produz e entrega soluções em catalisadores e aditivos para a indústria de refino de petróleo, que reúne dois gigantes mundiais das áreas de petróleo e petroquímica: a Petrobras e a Albemarle Corporation.

“Hoje, a sustentabilidade e a segurança são valores fundamentais da empresa”, diz o diretor superintendente da FCC S.A., Arlindo Moreira Filho, acrescentando que um reflexo disso foi a criação de uma área voltada para a inovação sustentável e de comitês internos de sustentabilidade.

Segundo ele, a companhia também tem outros planos para ampliar a atuação em sustentabilidade. “Recentemente, traçamos um diagnóstico da empresa a fim de identificar as práticas de sustentabilidade existentes e ampliar a atuação”, resume.

A FCC S.A. foi concebida levando em consideração as tecnologias de melhor eficiência, minimizando a utilização de recursos, para que eles sejam reaproveitados na produção de catalisadores, reduzindo as emissões de particulados.

Nesse sentido, as iniciativas da FCC S.A. estão alinhadas à estratégia da Confederação Nacional da Indústria (CNI) rumo a uma economia brasileira de baixo carbono, baseada em quatro pilares: transição energética, mercado de carbono, economia circular e conservação florestal.

Em relação aos clientes do refino, a Fábrica se diz corresponsável no alcance de metas de sustentabilidade. Para isso, oferece um portfólio de catalisadores e aditivos ambientais que permite aos refinadores uma operação mais limpa.

Pioneirismo  – Durante muitos anos, pneus usados eram destinados a processos de coprocessamento ou granulação, mas um novo procedimento despontou no segmento: a pirólise, que é a decomposição térmica de materiais a temperaturas de aproximadamente 400-600°C.

Assim, a FCC desenvolveu o Cyclus, um catalisador pioneiro na reciclagem química de resíduos sólidos urbanos, como a borracha e o plástico. O Cyclus é um produto capaz de converter chips de pneus inservíveis em combustíveis líquidos, na faixa de gasolina, querosene e óleo diesel e gás combustível. Com isso, permite a transformação de produtos no fim da sua vida útil em produtos químicos de maior valor agregado, realizando a sua reinserção na cadeia de valor.

A borracha é triturada em um reator de pirólise, o que permite a geração de gás combustível (utilizado como fonte de aquecimento do próprio processo), óleo de pirólise (líquido que pode ser usado como óleo combustível e outros usos) e negro de fumo (carvão), que é reutilizado na indústria de pneus.

Segundo a FCC, pouco mais de 1% dos pneus inservíveis foram destinados a este processo em 2015. Já em 2019, a destinação havia avançado para mais de 16%.

Preocupação crescente – Nos últimos anos, a preocupação da FCC com a sustentabilidade tem sido cada vez maior. De acordo com a empresa, os avanços e inovações nesse sentido podem ser divididos em duas categorias.

A primeira abrange as ações voltadas para os processos internos. Desde 2012, por exemplo, a FCC vem atuando no monitoramento e na redução de suas emissões de gases de efeito estufa (GEEs), já tendo atingido 7% de redução. Além disso, a empresa garante que mais de 87% de todo o resíduo sólido gerado – entre papel, plástico, metais e outros – é reciclado.

Um grande desafio superado nos processos internos foi a destinação sustentável dos resíduos industriais, que passaram a ser utilizados como matéria-prima para a produção de tijolos e cal na construção civil, reinserindo-os assim na cadeia produtiva.

A segunda categoria reúne ações voltadas aos clientes e à comunidade. A FCC entende que sustentabilidade envolve diversos atores e que, por isso, ela tem o compromisso de impactar a sociedade e os processos de seus clientes de forma positiva.

Em relação à comunidade, em 2005, a Fábrica implementou o Programa de Educação Ambiental para disseminar conhecimento e práticas de preservação do meio ambiente. Até o momento, mais de 300 escolas já foram beneficiadas pelo programa, segundo a empresa.

Economia circular – Em 2020, a FCC firmou parcerias para estudar e desenvolver uma tecnologia de reciclagem avançada de plásticos, transformando-os em matérias-primas que podem ser reinseridas na cadeia produtiva. Trata-se de acordo de cooperação com a Braskem, o Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI CETIQT), e o Laboratório de Engenharia de Polímeros (EngePol PEQ/COPPE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Diversos projetos vêm sendo realizados nesta linha, como o desenvolvimento do já citado Cyclus e a criação do Núcleo de Inovação da FCC S.A., que tem por objetivo avançar em projetos de economia circular e bioeconomia.