Indústria Verde

Plantando o futuro com tecnologia

Empresário inova ao transformar resíduos industriais em tubetes biodegradáveis para o plantio de mudas

Mergulhados numa irrefutável crise climática, a economia linear está chegando ao seu limite. É hora de investir na economia circular, que prevê, entre outras iniciativas, que  resíduos se tornem insumos de novos produtos, como ocorre na natureza.

Com seu olhar atento, o engenheiro mecânico Cláudio Rocha Bastos tornou-se um defensor desta transformação quando decidiu investir, no ano 2000, na empresa CBPAK, dedicada a converter amido de mandioca em embalagens descartáveis.

Em 2013, a tecnologia foi reconhecida pelo Prêmio Nacional Finep de Inovação Tecnológica; e, no ano seguinte, a empresa recebeu o segundo lugar na Premiação da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Além disso, ele se tornou membro da Ellen McArthur Foundation.

Cláudio Bastos – que possui trabalhos científicos publicados sobre o tema mudanças climáticas – não quis parar por aí: em 2017, criou a TOCO Engenharia e Inovação Ambiental, que, a partir do bagaço de malte descartado pela indústria de cerveja, desenvolveu uma tecnologia própria e passou a fabricar recipientes 100% biodegradáveis, eliminando o uso do plástico no desenvolvimento, transporte e plantio de mudas no campo.

“O agronegócio nos pareceu um rico universo para pesquisarmos novas tecnologias”, diz Cláudio, explicando como chegou à ideia de produzir tubetes biodegradáveis com o bagaço de malte descartado pela indústria cervejeira nacional, transformando um passivo ambiental em um ativo econômico.

“É a economia circular plantando o futuro com tecnologia”, brinca Cláudio, acrescentando que a nova empresa é uma “mudança de paradigma no plantio de mudas de plantas”.

Nesse sentido, as iniciativas da TOCO estão alinhadas à estratégia da Confederação Nacional da Indústria (CNI) rumo a uma economia de baixo carbono, baseada em quatro pilares: transição energética, mercado de carbono, economia circular e conservação florestal.

“Ao longo de todo o processo de plantio de mudas – dos viveiros ao campo –, os tubetes biodegradáveis são uma solução ambientalmente correta, de baixo carbono, alinhada a uma contribuição real na gestão hídrica e de resíduos sólidos e em total aderência com os princípios da economia circular”, afirma o fundador da empresa.

“A TOCO é protagonista inteligente no processo de plantio, porque, além de fazer uso de resíduos industriais que seriam descartados, permite alterar a formulação dos tubetes para oferecer os nutrientes necessários ao melhor desempenho de cada cultura, espécie e solo”, resume.

Novo roteiro – Mas como funciona o novo roteiro proposto pela TOCO nas etapas do plantio de mudas? Em primeiro lugar, o bagaço do malte é transformado nos tubetes 100% biodegradáveis.

São duas opções de plantio: ou as sementes colocadas nos tubetes da TOCO são levadas imediatamente ao campo para serem plantadas no solo com os recipientes (semeadura direta) – o que não é possível com os de plástico –, sem passar pelo tempo de viveiro; ou são acondicionadas nos tubetes e mantidas em viveiro por 30 a 90 dias antes de serem levadas para o plantio no campo (semeadura de sementes pré-germinadas).

Os tubetes eliminam também a necessidade da logística reversa, porque se decompõem completamente – e o bagaço de malte, rico em nitrogênio, proporciona nutrientes para as mudas, reduzindo também os custos com substrato. Além disso, a tecnologia TOCO contribui para projetos de conservação florestal, porque permite aumentar o número de mudas de árvores plantadas por hectare.

Mudanças climáticas – Pela mitigação dos tubetes plásticos tradicionais pelos tubetes biodegradáveis, a redução dos impactos ambientais é representativa – principalmente nas emissões de gases de efeito estufa (GEES) nas etapas do plantio de mudas. Segundo Cláudio Bastos, a TOCO contribui de forma direta e mensurável com os programas mundiais de redução de emissões de CO2. “Em 36 mil hectares plantados com os tubetes biodegradáveis, evita-se a emissão de 1 tonelada de CO2eq”, garante.

Parceiros ilustres – Os impactos positivos dos tubetes biodegradáveis são perceptíveis na qualidade e na sobrevivência das mudas e na produtividade resultante. Não por acaso, a TOCO Engenharia e Inovação Ambiental conta com parcerias ilustres como a Embrapa e a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, que está promovendo testes de campo em viveiros como os da Reserva Natural Vale; do Instituto Terra, de Sebastião Salgado; da ONG SOS Mata Atlântica; e do Programa Arboretum da Suzano.