Indústria Verde

O metal base para soluções sustentáveis

Certificação internacional que atesta elevados padrões ambientais, emissão de carbono cerca de 60% menor que a média mundial e altos índices de reciclagem conferem pegada sustentável ao alumínio brasileiro

As iniciativas sustentáveis da indústria de alumínio brasileira tem grande potencial para ajudar o país a enfrentar a crise climática. Além de o setor ser exemplo nacional e internacional em práticas de sustentabilidade, ele também pode melhorar a performance ambiental — e a eficiência econômica — de outros segmentos, como o de transporte ou da construção civil.

Nesse sentido, as iniciativas do setor de alumínio estão alinhadas à estratégia da Confederação Nacional da Indústria (CNI) rumo a uma economia brasileira de baixo carbono, baseada em quatro pilares: transição energética, mercado de carbono, economia circular e conservação florestal.

“O alumínio brasileiro tem baixa pegada de carbono e está estrategicamente posicionado para contribuir com o desenvolvimento de soluções para um futuro sustentável”, afirma a presidente executiva da  Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), Janaina Donas.

“Temos uma cadeia produtiva que atua com práticas ambientais, sociais e de governança corporativa que são referência nos sistemas de desempenho para o setor no mundo. A ABAL, como entidade que representa o setor de ponta a ponta, da mineração de bauxita à transformação e reciclagem do metal, tem a missão contínua de promover, disseminar e alavancar essas qualidades”, completa.

Além de ser infinitamente reciclável – usando somente cerca de 5% da energia necessária para produzi-lo da primeira vez –, o alumínio é o metal base para soluções sustentáveis nos transportes, por exemplo. Deixa os veículos mais leves, possibilitando economia de combustível, redução de emissões, aumento da capacidade de carga, menor desgaste de pneus, peças e dos pavimentos das rodovias. Permite ainda a produção de modelos de bicicletas que combinam leveza e resistência, garantindo ao consumidor lazer, saúde e melhor performance.

“O alumínio é um metal razoavelmente novo (1825), com atributos ambientais sustentáveis, como ser infinitamente reciclável. É um metal leve, cujo uso permite reduzir as emissões em diversas aplicações e, por isso, acreditamos ser a solução para uma vida sustentável para as futuras gerações”, afirma a gerente de Mercado e Competitividade da ABAL, Valéria Lima.

Nas embalagens, serve como barreira e evita que alimentos e medicamentos sejam afetados pela ação da luz e da umidade, proporcionando maior vida útil aos produtos. Na construção civil, colabora para tornar mais verdes os projetos arquitetônicos.

Certificação – A pandemia tem servido de catalisador para uma série de reflexões sobre consumo, produção e sobre a forma como nos relacionamos em sociedade e com o meio ambiente. E o alumínio é um produto que se insere perfeitamente nessa proposta de valor para um futuro sustentável. Não por acaso, a Bolsa de Metais de Londres – London Metal Exchange (LME) –, que referencia o preço do alumínio, anunciou, no ano passado, a intenção de lançar uma plataforma exclusiva para a comercialização do chamado alumínio verde.

Em julho de 2016, a ABAL filiou-se à ASI (Aluminium Stewardship Initiative), organização global sem fins lucrativos que lidera iniciativa de estabelecer rigorosos padrões para certificação de produtos de alumínio, voltado para a cadeia de valor do produto.

No Brasil, as plantas de produção de alumina e de alumínio primário estão todas certificadas nos padrões internacionais de Performance e Cadeia de Custódia da ASI. Isso significa que o país tem os mais altos padrões de atuação nos pilares ESG (Meio Ambiente, Social e Governança) nesta etapas na cadeia do alumínio.

Além dessas etapas, outras como mineração, transformação e reciclagem também já possuem certificações. Um exemplo é o da empresa Companhia Brasileira do Alumínio (CBA), que atua em todas as etapas da cadeia, e tem certificação integrada em todas elas.

Valéria Lima explica que a certificação ASI é extremamente complexa. “Foi criada para atender uma demanda de grandes consumidores de alumínio, como a BMW e a Nespresso, com o objetivo de incentivar a sustentabilidade junto aos fornecedores e clientes. Os padrões da ASI são muito rigorosos e auditados por terceira parte. As etapas de bauxita e de refinaria estão 100% certificadas, e a etapa de produção de alumínio primária, que exige consumos muito altos de energia elétrica e é a mais emissora, também já está certificada”, detalha.

Efeito estufa – O estudo das emissões de gases de efeito estufa (GEE) na cadeia de valor do alumínio brasileiro — da mineração à reciclagem —, feito pela ABAL, em 2010, já indicava que a pegada de carbono do alumínio brasileiro é menos da metade da média mundial. Na produção de alumínio primário, enquanto a média brasileira de emissões ficava em 2,661 toneladas de CO2eq/ton. alumínio,   a média mundial foi de 7,100al toneladas de CO2eq/ton. alumínio.

As emissões de CO2 concentram-se prioritariamente nos processos de produção de alumínio primário e alumina. Juntos, representam cerca de 90% do total, incluindo as emissões diretas de processo e as indiretas (inclui transporte e energia). Os dados da cadeia de valor mostram o Brasil com 4,250 toneladas de CO2eq/ton. alumínio de emissões e a média mundial chega a 9,635 toneladas de CO2eq/ton. alumínio de emissões.

A energia elétrica responde por cerca de 67% do consumo energético da produção do alumínio primário. Essa energia, que no Brasil é predominantemente de origem hídrica, confere ao alumínio brasileiro uma pegada de carbono que é cerca de 60% menor que a média mundial, conforme estudo publicado pela ABAL em 2010. Enquanto no Brasil prevalece a energia elétrica, na China, maior produtor mundial de alumínio, é o carvão, sendo a sua pegada de carbono cerca de cinco vezes maior que a brasileira.

A vantagem comparativa é obtida principalmente pela matriz elétrica de base essencialmente hídrica, limpa e renovável, e tecnologia de processo de classe mundial e taxas de reciclagem elevadas.

As indústrias associadas à ABAL apresentam progressos significativos de eficiência e redução de emissões nos processos de produção de alumina e alumínio primário, com metas de longo prazo, alinhados na direção da descarbonização. De 1990 a 2010, enquanto a produção aumentou 67%, as emissões dos perfluorcarbonos (PFCs) tiveram queda de cerca de 57%.

As refinarias têm substituído a matriz energética (caldeiras que funcionavam a partir da queima de óleo ou gás natural) por unidade de produção de vapor à base de biomassa (cavaco de madeira de eucalipto advindo de área de reflorestamento), tendo como resultado a redução de 43% na intensidade das emissões dos gases de efeito estufa.

Segundo levantamento da ABAL, somente em 2015 se a bauxita e a alumina produzidas no Brasil e exportadas fossem processadas aqui, evitando importações de alumínio primário necessárias para suprir a indústria de transformação brasileira, teriam sido evitadas cerca de 900 mil toneladas de emissões de gás de efeito estufa (GEE) somente no transporte.

Mais do que isso, se, em 2015, toda a produção de transformados no Brasil fosse feita com alumínio produzido no país, no mínimo 1,25 milhões de toneladas de CO2 deixariam de ser emitidos.

Impacto positivo – O crescimento do uso do alumínio no setor de transportes se deve à maior penetração do metal na fabricação de veículos automotores de passeio, caminhões, ônibus, embarcações, metrôs e trens. Suas propriedades de leveza e resistência aumentam a segurança e ao mesmo tempo reduzem as emissões de gases de efeito estufa.

Uma projeção recente da consultoria Ducker Worldwide para o setor automotivo indica até 30% de aumento do consumo de alumínio nos próximos 10 anos, principalmente nos países com regulamentação de limites de emissões e com programas de mobilidade sustentável.

No setor de construção civil, a expectativa também é favorável, graças à diversidade de produtos de alumínio, aliada a uma preocupação com construções sustentáveis. A lista de itens com alumínio inclui esquadrias, painéis de revestimento, fachadas, estruturas para coberturas e fechamentos laterais, divisórias, forros, boxes, formas, andaimes e escoras.

Os green buildings também trazem oportunidades de uso do alumínio, já que para estes empreendimentos são essenciais a reciclabilidade e a ecoeficiência no uso da construção e possibilidades arquitetônicas que favoreçam o melhor aproveitamento da iluminação natural.

Reciclagem – Cerca de 50%  do alumínio consumido no país vem da reciclagem. A média mundial é de 28,5%, e a China, principal player do setor, alcança a marca de 19,1%. Há mais de 10 anos, o índice de reciclagem de latas de alumínio no Brasil situa-se em torno de 97%. A reciclagem cresce na medida em que cresce o consumo.

O segmento de embalagens, que responde pelo maior consumo de produtos de alumínio no Brasil (41%), demandou 581,1 mil toneladas de alumínio em 2020, com predominância das latas para bebidas. O montante foi equivalente ao de 2019, ainda que o último ano tenha sido atípico em função da crise mundial sanitária e econômica por causa da pandemia. Cerca de 31 bilhões de unidades foram recicladas em 2020, permitindo afirmar que praticamente todas as latas disponibilizadas no mercado foram recolhidas e recicladas, comprovando a eficiência do sistema de logística reversa dessa embalagem no país.

Versatilidade – O alumínio é uma commodity global, produzido em mais de 230 plantas localizadas em 42 países nos cinco continentes. A produção mundial de alumínio primário, em 2020, totalizou  67 milhões de toneladas e apenas a China respondeu por 37,1 milhões de toneladas, ou 56% do total.

O uso do alumínio é relativamente recente na história. O homem já conhecia o ouro, a prata, o cobre, ferro e vidro por milênios, quando o processo de produção econômica do alumínio foi desenvolvido em 1886.

Apesar de estar presente na proporção de 8% na crosta terrestre, a razão desta aparição tardia é que o metal tem grande afinidade pelo oxigênio, ao qual se liga em uma combinação muito forte. Assim, a quantidade de energia necessária para separar o alumínio do oxigênio representava a maior dificuldade para isolar o metal.

Uma vez produzido, o alumínio funciona como um verdadeiro banco de energia para as futuras gerações, pois, como dito anteriormente, pode ser infinitamente reciclado usando cerca de 5% da energia necessária para produzi-lo da primeira vez. O alumínio apresenta uma longa lista de propriedades intrínsecas: é leve, resistente à corrosão, altamente condutor e reflexivo, atóxico, durável e reciclável.

Por meio de diferentes métodos de processamento e uso de ligas, o alumínio assume a forma, resistência e densidade desejadas. Fundição, laminação, forja, extrusão possibilitam inúmeras soluções aos designers e fabricantes. Esteticamente, o metal permite belas soluções para fachadas e até a fabricação de peças de arte ou utensílios com design arrojado.