Indústria Verde

Manejo e reaproveitamento de resíduos é lema da Bem Brasil

Empresa mineira, líder em vendas de batata pré-frita congelada, desenvolve série de ações permanentes para assegurar responsabilidade socioambiental

A diversidade da indústria nacional e a disponibilidade de recursos naturais dão ao país excelentes oportunidades para se desenvolver de forma sustentável, e a indústria alimentícia no Brasil vem demonstrando esforços nesse sentido.

A Bem Brasil Alimentos, líder na produção de batata pré-frita congelada e flocos desidratados de batata, foca na economia circular para a gestão de resíduos, fertirrigação e compostagem.

Fundada em 2006, conta atualmente com duas unidades fabris no Triângulo Mineiro: uma em Araxá e outra no município de Perdizes, inaugurada em 2017. Juntas, geram mais de 880 empregos diretos e dois mil indiretos. A empresa produz, por ano, mais de 250 mil toneladas de batata pré-frita congelada, e seu mix contempla mais de 20 itens voltados para food service e varejo nacional.

A empresa busca continuamente inserir práticas sustentáveis na sua linha de produção, desde a sua fundação, há 15 anos. As iniciativas da Bem Brasil Alimentos nesse sentido estão alinhadas à estratégia da Confederação Nacional da Indústria (CNI) rumo a uma economia brasileira de baixo carbono, baseada nos pilares de transição energética, mercado de carbono, economia circular e conservação florestal.

“O desenvolvimento sustentável atende às necessidades da geração atual, mas sem comprometer a existência das gerações futuras”, pontua a gerente de Sustentabilidade da Bem Brasil, Isabela Navarro. “Por isso, a atuação responsável está no DNA da empresa, que tem evoluído, cada dia mais, com uma gestão ecoeficiente e transparente. O que não é sustentável está fadado a acabar”, complementa.

Gestão de resíduos – Uma das iniciativas de destaque é o projeto Economia Circular. Seu objetivo principal é transformar a cultura da linearidade, agregando valor a produtos antes descartados.

Como parte da gestão de resíduos, está o manejo do isopor. Ele é destinado a empresas que utilizam o produto como matéria-prima, a exemplo da fabricação de blocos na construção civil. Atualmente, a Bem Brasil usa esse material para construir suas câmaras frias de armazenamento da batata in natura.

Já os resíduos Classe I (perigosos) são segregados e acondicionados em local próprio, com controle de acesso. Eles são direcionados para empresas que realizam o processo de incineração, evitando assim o depósito dos resíduos em aterros.

A Bem Brasil também realiza a extração do amido no seu processo de produção e o direciona para empresas que utilizam o material como subproduto na fabricação de colas e goma de produtos têxteis. A empresa contabilizou cerca de duas mil toneladas de amido nos últimos dois anos.

Já os resíduos de plástico e papelão são hoje 100% encaminhados para reciclagem e/ou logística reversa e transformados em subprodutos. Os plásticos viram matéria-prima para fabricação de sacolas e sacos, e o papelão, por sua vez, é reutilizado para confecção de caixas. As embalagens passam por um processo de descaracterização, permitindo a segurança total da marca, e impossibilitando desvios ou utilizações indevidas das embalagens de plástico e papelão.

Fertirrigação – A Bem Brasil gera um efluente líquido, que, após o devido tratamento, é destinado à fertirrigação de lavouras do Grupo Fazenda Água Santa, em Perdizes. “Fertirrigamos, em média, 3 mil m³/dia, totalizando 84 mil m³/mês, em uma área de 600 hectares, em diversas culturas. Este subproduto é fonte dos elementos NPK, contribuindo na redução do uso de fertilizantes nas lavouras”, explica Isabela.

Durante o processo de anaerobiose no sistema de tratamento de efluente, ainda é realizado o aproveitamento energético do biogás gerado para queima na caldeira. Esse processo permite a economia de, no mínimo, 20% de biomassa e evita a liberação de gases de efeito estufa para a atmosfera.

A vazão média atual utilizada do biogás para geração de energia é de 45 m³/h. Assim, o ganho na eficiência energética da unidade de Araxá foi de 800 kW para 1500 kW. E estima-se um potencial para quadruplicar esses números para a unidade de Perdizes.

A Bem Brasil também desenvolve um trabalho de compostagem, usando todo o resíduo orgânico de batata e cinzas. De acordo com a gerente de Sustentabilidade, Isabela Navarro, a empresa produz, em média, duas mil toneladas/mês de composto orgânico, aplicados em área de 10 mil hectares de cultivos diversos. “Por meio desta ação, deixamos de emitir, aproximadamente, 20 mil toneladas de CO2”, destaca.

Para a Bem Brasil, é possível criar uma cadeia produtiva autossuficiente e de longevidade, inspirados na famosa Lei de Lavoisier: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.