Indústria Verde

Gigante brasileira de celulose atua em prol de uma economia de baixo carbono

Klabin reduziu suas emissões específicas de gases causadores do efeito estufa (GEE) em 60% entre 2003 e 2019

A preocupação com a sustentabilidade tem permeado todas as ações da Klabin, uma das maiores produtoras e exportadoras de papéis para embalagens de papel do Brasil. A empresa, líder nos mercados de papelão ondulado e sacos industriais, se orgulha em ser, até o momento, a única companhia brasileira do setor de celulose e papel presente no Índice Mundial de Sustentabilidade da Dow Jones. O indicador destaca as empresas com melhor performance global com base em critérios econômicos, ambientais e sociais de longo prazo.

Além disso, a Klabin foi convidada a integrar o grupo de líderes da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima de 2021 (COP 26), realizada em Glasgow, para ajudar a acelerar o compromisso do setor privado com ações práticas de redução de emissões específicas de carbono e metas baseadas na ciência do clima.

A empresa, estabelecida há mais de 120 anos, e que conta com 23 unidades industriais (22 no Brasil e uma na Argentina), declara que sua atuação em prol de uma economia de baixo carbono já é realidade há alguns anos. Reduziu suas emissões específicas de gases causadores do efeito estufa (GEE) em 60% entre 2003 e 2019.

De acordo com Francisco Razzolini, diretor de Tecnologia Industrial, Inovação, Sustentabilidade e Projetos da Klabin, o embasamento científico para a definição de metas de redução de GEEs é uma premissa importante, que faz parte das recomendações das Organização das Nações Unidas (ONU) e da COP 26 para o tema – e, portanto, que deve ser levado em consideração pelas empresas.

“A jornada empresarial em prol da descarbonização da economia é longa e requer iniciativas de impacto positivo nas cadeias produtivas. É preciso que as empresas acelerem seus processos de redução de emissões para garantir que será compensado apenas o que não for passível de ser zerado”, explica o executivo.

Para fomentar o tema no setor privado, a Klabin, em parceria com a Rede Brasil do Pacto Global da ONU, lançou o movimento ImPacto NetZero, que convida as empresas a avaliarem a adoção de metas de redução de emissões de gases de efeito estufa, com base na ciência, e a sociedade a se engajar na causa em prol de um planeta mais sustentável.

“Acreditamos que compartilhar experiências sobre os benefícios da inclusão da sustentabilidade como parte essencial das estratégias de negócios ajuda a mobilizar mais atores na causa, contribuindo para o futuro sustentável que todos nós queremos para o planeta”, resume Razzolini.

Ambição – Alinhada com os objetivos de sua Agenda 2030, a Klabin buscou amparo da ciência para colocar em práticas suas ações de combate às mudanças climáticas. Dessa forma, em 2021, a empresa se tornou uma das primeiras brasileiras a ter suas metas de redução de GEE aprovadas pela Science Based Targets initiative (SBTi), que estabelece métodos e ferramentas embasadas em ciência do clima.

O compromisso assumido é ambicioso. Prevê a redução das emissões específicas de CO2 (escopos 1 – emissões próprias – e 2 – emissões em energia comprada) por tonelada de celulose, papéis e embalagens, em 25%, até 2025, e em 49%, até 2035, tendo 2019 como ano-base. Para alcançar essas metas, a empresa está investindo em projetos com soluções diferenciadas de tecnologias de baixo carbono, que serão implementadas no curto e médio prazo, considerando a redução de emissões, assim como a eficiência de recursos.

Estratégia – Para atingir suas metas, a empresa adota um planejamento estratégico. Concilia crescimento operacional com oportunidades de implementação de tecnologias que permitam a geração e o uso de energias renováveis, como a biomassa florestal. O intuito é diminuir assim emissões de GEE pela redução do consumo de energia de origem fóssil. Para a Klabin, o foco é avaliar soluções tecnológicas mais eficientes e inovadoras, que tragam ainda vantagem competitiva ao negócio.

A avaliação das tecnologias é feita de acordo com a metodologia marginal abatement cost curve (MACC, ou, em português, curva de custo marginal de abatimento). A partir desta estrutura, é possível avaliar quais tecnologias são mais efetivas, trazendo para uma análise integrada os ganhos de redução de GEE e os custos evitados/benefícios econômicos da implementação de uma tecnologia de baixo carbono.

Um bom exemplo de custo evitado é o dispêndio de pagamento de uma taxa ou compra de permissões de emissão – o que deve ocorrer já nos próximos anos, considerando um possível mercado regulado de carbono no país e no mundo. Entre as tecnologias implementadas recentemente a partir de avaliação da curva MACC, três merecem destaque: geração de gás de síntese por gaseificação de biomassa e planta de produção de tall oil – ambas na Unidade Puma, em Ortigueira (PR); e uma caldeira de biomassa na unidade de Piracicaba (SP). Estas tecnologias representam um valor total de investimento de mais de R$ 200 milhões.

Tall oil – A unidade Puma conta com um processo de extração e utilização de tall oil (óleo de pinus) como mais uma fonte de energia renovável para a unidade. O tall oil é um subproduto do processo de produção de celulose fibra longa, originário das resinas contidas nas madeiras dos pinus, utilizadas na produção desta celulose. O seu uso permite a substituição de combustível fóssil e a redução das emissões de gases de efeito estufa para a atmosfera. Para a Klabin, a iniciativa foi uma das que recebeu aporte captado via títulos verdes (Green Bonds) pela empresa.

Gaseificação – Como parte do projeto de expansão da Klabin em papéis para embalagens, a Planta de Gaseificação de Biomassa na unidade Puma será responsável por fornecer combustível renovável ao Forno de Cal 2 (fornos de cal são parte do processo circular integrado de recuperação de produtos químicos nas plantas de produção de celulose), substituindo o uso de óleo combustível de origem fóssil em cerca de 21,000 ton/a.

A unidade utiliza biomassa convertida por meio de um processo de pirólise rápida em reator de leito fluidizado circulante, em combustível renovável, o Syngas (gás de síntese). Com isso, há redução da pegada de carbono da fábrica.

Nos fornos de cal da unidade Puma, a empresa também utiliza a combustão de hidrogênio, gerado na produção integrada de produto químico utilizado no processo de produção de celulose branqueada. No Projeto Puma II, também foi instalado o turbogerador 3 (TG-3), que transforma a energia térmica do vapor (produzido em alta pressão e temperatura, nas caldeiras de recuperação e força, com base em biomassa) em energia elétrica. A energia gerada no conjunto de três turbinas da Unidade Puma é utilizada para atender a demanda da unidade atual e das novas máquinas de papel – e ainda gera excedente que é comercializado, o suficiente para sustentar o consumo médio de 250 mil residências.

Caldeira – A Klabin garante estar empenhada em aumentar a utilização de fontes renováveis de energia em sua matriz operacional. Assim, a nova caldeira de biomassa da unidade de Piracicaba, em São Paulo, já em operação, também substitui a queima de combustível fóssil, contribuindo para a redução de emissões de gases de efeito estufa.

Atualmente, as fontes de energia renováveis utilizadas pela Klabin estão estruturadas em três pilares principais: a queima de licor negro (um subproduto gerado no processo de cozimento da madeira, que contém os constituintes da madeira que não a celulose), caldeiras movidas a biomassa (que utilizam cascas, galhos, cavacos e resíduos do processo de picagem da madeira, não utilizados no processo de produção de celulose), e energia elétrica própria de geração hidráulica.