Indústria Verde

Construir sem destruir

Construtora anuncia que irá transformar 80% de seus resíduos em recicláveis até 2024, além de enumerar série de ações sustentáveis

Neste ano, a construtora e incorporadora paulistana Plano&Plano apresentou o seu primeiro Relatório de Sustentabilidade, como parte de seus esforços para formalizar os compromissos da empresa com o desenvolvimento sustentável. Elaborado segundo as diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI), referência na padronização de indicadores sociais, ambientais e de gestão para a elaboração de relatos de sustentabilidade, o documento traz uma visão geral sobre a gestão dos impactos ambientais da empresa em 2020, levando em conta os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). A sustentabilidade na construção civil está relacionada aos ODS 9 (Indústria, Inovação e Infraestrutura), 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis) e 12 (Produção e Consumo Sustentáveis).

“Este primeiro Relatório de Sustentabilidade é de grande importância, uma vez que apresentamos os primeiros passos desta construção estratégica tão relevante para nós, para nossos stakeholders e para as comunidades em que atuamos”, afirma Rodrigo Fairbanks von Uhlendorff, diretor-presidente da Plano&Plano.

Paralelamente ao lançamento do Relatório de Sustentabilidade, a Plano&Plano iniciou a implementação de uma nova cultura ESG (sigla extraída do inglês Environmental, Social and Corporate Governance) na empresa: aos colaboradores e à gestão, reiterou-se que os temas e conceitos inerentes ao ESG são transversais à organização e devem fazer parte do dia a dia do trabalho.

As iniciativas da empresa, nesse sentido, estão alinhadas à estratégia da Confederação Nacional da Indústria (CNI) rumo a uma economia brasileira de baixo carbono, baseada em quatro pilares: transição energética, mercado de carbono, economia circular e conservação florestal.

“Criamos um grupo de trabalho com pessoas-chave das áreas estratégicas na empresa, com o objetivo de promover o conhecimento dos temas, indicadores e metas que permeiam nosso propósito ESG: queremos que eles se apropriem dos indicadores, e que pensem em ações que tragam o assunto para perto – tendo ciência dos desafios e dos impactos ambientais e sociais em todas as operações”, afirma Cristiane Hirota, coordenadora de ESG da Plano&Plano.

Há duas décadas – O diretor-presidente Rodrigo Fairbanks von Uhlendorff observa que a empresa fala em sustentabilidade desde os anos 2000. “Hoje, porém, com a abertura de capital – agora listada no Novo Mercado da B3 –, conseguimos traçar um plano de metas e ações concretas”, garante.

“A estratégia ESG é um pilar valioso e tem nosso forte compromisso no planejamento estratégico desenhado até 2025, que inclui a gestão da emissão de gases responsáveis pelas mudanças climáticas”, resume.

A empresa iniciou a implantação de um sistema de mensuração de suas emissões de carbono neste ano e já se esforça para reduzi-las, dando preferência à contratação de colaboradores e fornecedores próximos às obras, para reduzir deslocamentos. Com as vendas digitais, metade dos negócios foram fechados sem visita às obras, contribuindo também para a redução de emissões.

Destaque – Para aprimorar seus processos internos relacionados à conformidade ambiental, a empresa também monitora o uso de recursos naturais nos canteiros de obras, padronizando indicadores e estabelecendo metas baseadas no histórico de consumo. O monitoramento é realizado mensalmente por meio do software Ecoplano, um banco de dados com informações sobre o consumo de energia e de água, bem como sobre a geração de resíduos de cada obra.

“Temos como objetivo transformar até 80% dos resíduos em recicláveis nos próximos três anos”, diz Rodrigo Fairbanks, acrescentando que, no momento, a empresa “utiliza a logística reversa com dois produtos: a lata de tinta, que é transformada em aço, e restos de blocos, que podem ser reutilizados”.

O sistema construtivo de alvenaria estrutural adotado pela empresa também tem papel fundamental na gestão ambiental, uma vez que o uso racional dos materiais produz menos resíduos em comparação ao tradicional método de concreto armado.

Resíduos – Para todas as obras, a empresa elabora um Plano de Gestão de Resíduos para a Construção Civil que abrange os aspectos referentes à geração, segregação, identificação, coleta, ao acondicionamento, transporte, armazenamento, tratamento e à disposição final, em conformidade com as legislações ambientais municipais, estaduais e federais.

A gestão de materiais, dada a variedade e os volumes consumidos, faz parte da essência da atividade. Em 2020, por exemplo, as obras utilizaram 93,4 mil toneladas de blocos de concreto e 4,8 mil toneladas de revestimento cerâmico.

A Plano&Plano classifica e segrega os resíduos no momento da geração, para permitir o reuso, recuperação e a reciclagem. O procedimento contribui para a definição adequada do tratamento e da disposição final dos resíduos.

Os resíduos gerados pelas obras, inclusive na fase de demolição, são enviados para locais específicos, como estações de transbordo e triagem, que fazem a segregação e destinam grande parte para a reciclagem. A destinação final é documentada para comprovar que o processo foi realizado de forma ambientalmente correta.

Em alguns casos, como dos resíduos de metais, o material é vendido e o valor revertido em prêmios para os colaboradores das obras.

Água – A empresa também segue procedimentos estabelecidos para a retenção de materiais considerados contaminantes. Um exemplo é a utilização de filtros de decantação nos locais de silos e corta blocos, onde toda a água com impurezas é coletada e tratada, podendo ser reaproveitada em outros processos do canteiro. Já a água da chuva é filtrada e reaproveitada nos banheiros das obras.

Os efluentes são tratados, quando necessário, e descartados na rede de esgoto do município onde se encontram os escritórios e os empreendimentos da empresa, na capital e na região metropolitana de São Paulo.

A segregação dos resíduos classe D (perigosos) evita possíveis vazamentos ou a utilização inadequada de produtos químicos que possam causar danos à saúde dos colaboradores e ao meio ambiente. O procedimento também previne a contaminação do lençol freático.