Indústria Verde

Chocolate de verdade

Empresa brasileira está revolucionando a cadeia de produção do cacau

A Dengo nasceu com o propósito de oferecer chocolates brasileiros puros – com mais cacau, menos açúcar, sem essências ou aromas artificiais nem gorduras hidrogenadas – a partir de uma cadeia de produção especial, privilegiando pequenos e médios produtores do sul da Bahia que cultivam o café e o cacau de forma consciente, em meio às matas da região.

Em outras palavras, a ideia é valorizar os produtores, preservar a natureza e inspirar os consumidores, aliando geração de riqueza com conservação florestal e refletindo a riqueza natural e a personalidade do Brasil.

A marca brasileira de cafés e chocolates Dengo foi lançada em 2017 e se comprometeu, desde o início, a capacitar os seus produtores rurais e a pagar o melhor preço do mercado, valorizando-os e contribuindo para a sobrevivência das comunidades locais. Garante também a qualidade dos frutos e sementes produzidos.

Depois de colhido, refinado e processado adequadamente, o chocolate da Dengo é levado ao consumidor final com poucas embalagens de papel, para diminuir ainda mais sua pegada ambiental.

As iniciativas da empresa, nesse sentido, estão alinhadas à estratégia da Confederação Nacional da Indústria (CNI) rumo a uma economia brasileira de baixo carbono, principalmente no que diz respeito ao pilar de conservação florestal.

Cabruca – A marca optou por agregar valor à produção rural por meio do manejo de sistemas agroflorestais, diversificando a área de atuação e aumentando a produção sustentável. Por isso, trabalha apenas com produtores que usam a cabruca, uma forma de cultivo do cacau em sistema de agrofloresta, no qual as árvores nativas da região da Mata Atlântica,como o pau-brasil e o jequitibá, são usadas para fornecer sombra aos cacaueiros.

A forma de produção influi, evidentemente, na qualidade do produto final: para crescer, o fruto precisa de solo adequado, sombreamento correto e clima favorável. Na cabruca, o cacau se desenvolve em um ambiente rico em nutrientes, sabores e aromas. Sombreados pela vegetação natural, os cacaueiros produzem frutos melhores. Além disso, a forma de beneficiamento adotada na região – coleta, fermentação e secagem – contribui para a qualidade do cacau de cabruca.

Fazer diferente – Para os idealizadores da marca, Estevan Sartoreli e Guilherme Leal, todo o cuidado socioambiental ao longo da cadeia produtiva deve culminar em um resultado notável: um chocolate brasileiro de qualidade excepcional.

“É possível, sim, fazer diferente e criar modelos sustentáveis que compartilhem valor em sua cadeia”, afirma Sartoreli, que trabalhou no marketing da multinacional de cosméticos Natura ao lado de Leal, fundador de ambas as marcas.

Ao todo, hoje, 160 famílias do sul da Bahia trabalham para a Dengo.

Embalagens – A preocupação com a sustentabilidade se estende à apresentação final dos produtos, que podem ser comprados em grandes pedaços, por peso, ou a granel, utilizando menos embalagens. As embalagens, por sua vez, privilegiam o papel em sua composição.

Caixas de papelão – que podem ser reutilizadas após o consumo do chocolate – são também oferecidas como opção. Em datas especiais, alguns produtos da Dengo vêm embrulhados apenas em chitas, um tecido tipicamente brasileiro que pode ser reaproveitado de várias formas.

Hoje a marca mantém 29 lojas próprias ao redor do Brasil, além de uma loja conceito em São Paulo que promete “experiências sensoriais e propósito”. “Este é um pedacinho da Bahia em SP!”, brinca Estevan Sartoreli.